Crise de fertilizantes provocada pelo conflito no Leste Europeu ameaça a produção agrícola do Brasil

Simone Tebet quer ouvir o ministro de Minas e Energia e o presidente da Petrobras sobre fábrica do produto abandonada desde 2014, no MS

A senadora Simone Tebet, pré-candidata à Presidência da República pelo MDB, apresentou requerimento no Senado, pedindo que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, respondam com urgência questionamentos sobre o destino da fábrica de fertilizantes (UFN3), em Três Lagoas, MS. O pedido foi feito na última quinta-feira, (10/03). Na ocasião, Simone observou que a guerra na Ucrânia deixou o Brasil vulnerável à importação de fertilizantes nitrogenados. “Com isso, corremos o risco de ficar sem o produto na próxima safra”, disse. “O problema é grave e urgente.”

Como os jornais têm relatado nas últimas semanas, o conflito no Leste Europeu tornou explícita a dependência do agronegócio brasileiro em relação a fertilizantes. Dados de um artigo publicado pela Folha de S.Paulo (“A guerra e a dependência externa brasileira no setor de fertilizantes”), no sábado, 12/03, apontam que “o Brasil, com um consumo de 8,3% da produção global [de fertilizantes], fica atrás apenas da China (24%), da Índia (14,6%) e dos Estados Unidos (10,3%). Juntos, esses quatro países representam quase 60% do consumo mundial, mas das quatro nações apenas o Brasil tem produção doméstica de baixa relevância, o que coloca o país na sensível posição de maior importador de fertilizantes do mundo”.

Em discurso no Senado, a parlamentar observou que, quando prefeita de Três Lagoas (MS), sua cidade natal, cargo que exerceu entre 2005 e 2010, doou à Petrobras uma área de 556 hectares, para a construção do que seria a maior fábrica de fertilizantes hidrogenados da América Latina. “Para dar uma ideia da dimensão do projeto, a nova indústria seria capaz de reduzir em 50% a dependência do país desse produto”, disse. A Petrobras, contudo, desistiu da iniciativa em 2014, com 80% das obras concluídas. “Na época, vieram o escândalo do ‘Petrolão’ e os problemas de gestão da empresa”, disse Simone. “E há quase dez anos tenho lutado para resolver esse problema.”

Com a guerra, a situação agravou-se por dois motivos: um deles é o já mencionado risco de desabastecimento, o outro refere-se à a possível venda da indústria para uma empresa russa. Sobre a negociação, a pré-candidata pontou: “Pasmem, a ideia não é fazer fertilizantes no Brasil, mas construir uma

um patrimônio nacional, que teve dinheiro público investido, para continuarmos dependentes de fertilizantes da Rússia”.

A parlamentar notou ainda que, além de uma questão que envolve a soberania nacional, o atual imbróglio já criou um risco iminente de comprometimento da próxima safra agrícola do país, um dos pilares do desenvolvimento nacional nos últimos anos. Para Simone, contudo, há alternativas para a solução do impasse. “A fábrica pode ser construída em cerca de oito meses pela Petrobras, talvez por R$ 2 bilhões, ou ser vendida para qualquer cooperativa ou outra empresa por R$ 5 bilhões. E, com isso, poderemos colocar o produto na nossa lavoura.”

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