“Estamos no limite do tolerável”, diz Simone Tebet em plenário ao cobrar CPI da Covid

“Não teremos vacinas suficientes e a tempo para acabar com essa carnificina. Não temos leitos, não temos UTI, não temos oxigênio, não temos insumo, não temos medicamentos para intubar os nossos pacientes. Está faltando caixão. Só não pode faltar ação, sensibilidade do Congresso Nacional”, disse.

Simone lembrou que hoje foi a primeira sessão após o falecimento do colega, senador Major Olímpio. Ela citou frase de Millôr Fernandes que dizia que ‘viver é desenhar sem borracha’ para lembrar que neste momento o que está em jogo é a vida de brasileiros. “Não podemos errar quando está nas nossas mãos a vida de milhões de brasileiros”.

A senadora sul-mato-grossense elogiou a atuação da comissão da Covid, mas acredita que é preciso mais e cobrou do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, uma definição sobre a instalação da CPI. “Amanhã, V. Exa. terá uma reunião decisiva com os Governadores e o Presidente da República. Mas se, de lá, não tivermos uma mudança de posicionamento do Presidente da República, nós estaremos engrossando o coro a favor da CPI da Pandemia. Não é possível mais. Há um limite entre a omissão e a prevaricação. A prevaricação passa a ser crime”, disse.

Simone espera uma ação mais contundente do presidente da República em defesa da vacina. “Se o Presidente da República não mudar o discurso de ‘vacina ou economia, saúde ou emprego, como se fossem coisas distintas, o que, na realidade, não são, pois são os dois lados da mesma moeda. Se o Presidente da República não vier a público dizer que apenas o afastamento – não estou falando de lockdown, mas apenas de afastamento, do distanciamento social – é capaz de salvar vidas e que máscaras, sim, são necessárias e precisam ser distribuídas gratuitamente para a população brasileira, repito, V. Exa. terá que instalar a CPI da Pandemia”, cobrou do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Emocionada, com a voz embargada, Simone lembrou dos leitos superlotados de seu Estado, o Mato Grosso do Sul e do desespero das pessoas em busca de leitos. “Nós estamos no limite do tolerável. Eu imagino o que esses heróis da frente de resistência da saúde estão passando neste momento. Meu Estado é pequeno. Lá morrem, proporcionalmente, muito menos pessoas do que morrem nos grandes centros, e nós não estamos suportando tanta dor. Eu não perdi ninguém próximo ainda, nenhum familiar, mas eu me doo pelas mães e pelos filhos que estão perdendo seus entes queridos”, finalizou.