"Orçamento precisa sobreviver a 2022", diz Simone Tebet em entrevista ao Correio | Simone Tebet
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do Brasil

“Orçamento precisa sobreviver a 2022”, diz Simone Tebet em entrevista ao Correio

Única pré-candidata mulher ao Planalto, senadora avalia as chances de uma federação para fortalecer a terceira via e critica Bolsonaro por “medidas eleitoreiras” em busca da reeleição. Tebet também adianta os próximos passos da pré-campanha

Ingrid Soares / Denise Rotemburg

Pré-candidata à presidência da República, Simone Tebet (MDB), 50 anos, nasceu em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Também advogada e professora, sua estreia política ocorreu em 2002 ao ser eleita deputada estadual pelo MDB, legenda na qual permanece. Foi eleita senadora em 2014 e, em 2019, se tornou a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, posto que exerceu até o fim de 2020. A atuação da senadora na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19 em setembro de 2021 a destacou a nível nacional.

Em entrevista ao Correio, a agora postulante ao Palácio do Planalto comenta o cenário econômico do país e defende que o “Orçamento precisa sobreviver a 2022”, diante do descontrole do presidente Jair Bolsonaro. Ela aponta que, visando a reeleição, o chefe do Executivo tem recorrido a medidas eleitoreiras e aproveita para criticar a gestão atual: “Não há governo pior do que este que aí está”.

Tebet também avalia as chances de uma federação para fortalecer a terceira via e comenta seus próximos passos na pré-campanha. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

A senhora começou a sua pré-campanha, montou sua equipe. O que podemos esperar?

Temos, por enquanto, o coordenador geral, que é o presidente nacional do partido. Tivemos o cuidado de deixar muito claro que a economia é um bem para se alcançar um fim. Então, não tenho pressa de formar equipe econômica, apenas de ter uma pessoa que tem identidade de visão de projeto e país, que é minha, para a partir daí construirmos e fazermos uma equipe. Por isso, chamei Elena Landau, que tem uma visão muito parecida com a minha, de uma liberal moderada, uma liberal social. Ela já reviu muitas coisas e, hoje, tem essa preocupação, que, infelizmente, é o Brasil que temos, desigual e que entrou para o mapa da fome. Não tem como não ter uma equipe econômica sem esse olhar 24 horas por dia. Economistas que tenham experiência em políticas públicas setoriais e desenvolvimento regional e política na área fiscal.

Qual o maior desafio para a montagem de um programa de governo? É essa área fiscal, saúde, educação?

A mais desafiadora é diminuir a desigualdade social. E há um meio para se chegar lá. O Brasil está passando por um populismo, por um governo irresponsável que não conhece as mazelas do Brasil, que não conhece de gestão. Ele extinguiu o Ministério do Planejamento, então não sabe onde quer chegar, não tem programa, não tem metas de resultado, não tem um plano nacional e nem regional de desenvolvimento. O governo torra todo o Orçamento com projetos pontuais, eleitoreiros, para atender o curral eleitoral de parlamentares. O dinheiro é pouco e mal gerido. O maior desafio nesse momento é impedir neste ano que se comprometa o fiscal dos próximos anos. Então, para reduzir a desigualdade social, o foco passa a ser o cuidado com o fiscal. Hoje, temos um desgoverno que não conhece o Brasil e que não tem gestão, que, num ano eleitoral, começou a ter um viés populista. O mais importante é sobreviver a 2022. O orçamento precisa sobreviver a 2022.

A senhora falou que o Orçamento precisaria sobreviver a 2022. O que a senhora quis dizer com isso e como pensa em tratar essa questão das emendas RP9, orçamento que está basicamente sequestrado pelo Congresso?

Eu quis dizer que este é um ano em que o presidente vai fazer de tudo e mais um pouco com políticas eleitoreiras para estar no segundo turno e ganhar as eleições. E ele vai fazer isso diante de um Congresso hoje complacente, porque, por meio do orçamento secreto, sequestrou o Orçamento do Executivo por incompetência do próprio Executivo, que não tem planejamento de visão programática de país, de se fazer a pequeno, longo e médio prazos. Se ele não apresentou as emendas para o Brasil, o Congresso se viu no direito errado de sequestrar o Orçamento e jogar em seus currais eleitorais do jeito que der sem nenhuma política, para enxugar gelo. No meio da semana, o governo publicou no DOU (Diário Oficial da União) uma lista, eu nunca vi isso, publicou uma lista de prioridades, não sabe nada do que é independência entre os Poderes. Basta olhar lá para ver que nós temos que sobreviver, seja em retrocesso na pauta do enfrentamento ambiental, seja na pauta de criar despesas sem ter caixa para isso. Alguém vai ter que pagar a conta. Quem vai pagar é o próximo presidente da República, que não pode aumentar imposto e vai ter que cortar gastos, inclusive, de política públicas. Então, nós temos que sobreviver este ano, não podemos deixar passar projetos eleitoreiros. Algumas coisas, sim, são necessárias, sabemos disso, o que tem custo menor precisa ser feito. Mas não podemos rasgar a Constituição nem o Orçamento sob pena de comprometer os próximos quatro anos. Estamos falando da vida de milhões de brasileiros.

Como a senhora vê as declarações de Renan Calheiros sobre o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, caso a senhora não suba nas pesquisas?

Eu sempre sou abordada em relação ao Renan, como se fosse o grande expoente do partido. Ele é um parlamentar respeitável, a gente tem que levar em consideração, mas na última reunião da Executiva estava a maioria mais que absoluta, inclusive meus colegas senadores, Fernando Bezerra, o ex-senador Romero Jucá, que ficaram o tempo todo na reunião, Confúcio Moura, Rose (de Freitas) e Nilda (Gondim). Veneziano (Vital do Rêgo) não estava porque fez uma pequena cirurgia. E todos claramente dizendo que a hora é de colocar o time na rua. E a única voz dissidente, que todos insistem em perguntar, é a voz do Renan. Então, tempo ao tempo. Política é isso. A gente não quer unanimidade, mas vamos ter a unidade do partido até a convenção. Hoje, temos 20 dos 27 diretórios já com carta. E a campanha não começou. A gente fala como se estivesse em período eleitoral, mas estamos iniciando o projeto. Da mesma forma que o MDB tem os seus problemas, está o PSD, que não sabe se lança ou não, o PSDB, que saiu rachado das prévias, o que é natural. Da mesma forma como estou tendo aceno de pessoas experientes de outros partidos, mesmo quem tem pré-candidatos quer se somar conosco. Então, vamos aguardar. É o momento ainda das laranjas se acomodarem no cesto do caminhão nesta pré-campanha.

A senhora acredita que possa sair uma federação entre PSDB e MDB ou MDB e União Brasil, ou os três?

Ajudei na construção (do modelo) da federação como uma forma de não deixar ressuscitar a coligação proporcional, que estava muito forte no Congresso. Ajudei na aprovação, conheço um pouco como isso funciona e acho que tem tudo para dar certo a partir de 2026 no Brasil. E tem condições de dar certo para partidos menores, partidos ideológicos, que podem não fazer bancada e ficar fora do processo eleitoral, como o PCdoB se aliar a outro partido de esquerda, exatamente por uma questão de sobrevivência, porque a federação significa ficar quatro anos, um casamento com prazo de validade, mas não tão curto e que termina no dia seguinte à eleição. Então, a federação acho que tem uma construção positiva para a democracia e ela acelera o processo de ter menos partidos constituídos dentro do Congresso Nacional, acabando com esse presidencialismo de coalizão. Mas, há a necessidade de ter identidade ideológica.

Ainda para este ano?

É muito difícil, a não ser que venha de cima para baixo, da Executiva do partido, você conseguir fazer federação ainda este ano, por mais que o prazo tenha sido estendido até 31 de maio. Porque é difícil você ter a unanimidade ou a maioria absoluta dos diretórios, a não ser que o partido tenha dono e esse dono fale de cima para baixo que vai fazer a federação com determinado partido. Por isso, vejo uma certa dificuldade, não acho que seja impossível, um partido da grandeza do MDB fazer federação. Acredito ser possível que o Cidadania, que é um partido menor e parece que está bem adiantado, fazer uma federação com o PSDB, isso eu acho possível. Mas isso não impede o diálogo. O MDB está conversando muito bem com o União Brasil, com o próprio PSDB, está conversando com outros partidos também. E todos têm essa questão muito clara da importância de caminharmos lá na frente juntos, em torno de um nome para enfrentarmos no primeiro turno, uma união competitiva para estarmos no segundo turno.

A senhora acredita que o MDB terá uma unidade em torno do seu nome ou tende a uma pulverização?

Você falou a palavra certa. Não vai haver unanimidade, porque a unanimidade é rara em qualquer partido político, em qualquer disputa que envolva a política. Mas a unidade eu não tenho dúvida. Assim que o meu nome aparecer nas pesquisas, assim que nós nos tornarmos conhecidas, não vamos esquecer que sou a única pré-candidata mulher e isso também tem um apelo num eleitorado eminentemente feminino e é o que hoje mais rejeita os dois candidatos que estão na frente nas pesquisas (Lula e Bolsonaro). Acredito que o nosso nome, se tornando conhecido, tem condições de crescer eleitoralmente. E, consequentemente, aqueles que estavam em dúvida, titubeando, tenho certeza que virão nessa caravana, que é a favor da democracia e da reconstrução do país, através da política séria, ética, de respeito e de comprometimento com as pessoas, de verdade absoluta, sem estelionato eleitoral, sem dizer uma coisa com populismo e depois que sentar na cadeira não fazer. Então, eu acho que esse é o nosso diferencial.

E a respeito da pandemia, como a senhora avalia a gestão do presidente Bolsonaro?

Que gestão? Não houve gestão. Não vamos esquecer que saúde pública é compartilhada, mas quando falamos de pandemia ela depende necessariamente da coordenação do governo federal. Sem uma coordenação nacional, os estados e municípios ficam nus, reféns, de mãos amarradas. Exemplo é a vacina que, quando chegou, os municípios e governos estaduais foram eficientes. Houve uma omissão dolosa e criminosa do governo federal na compra e no atraso das vacinas, um governo negacionista e insensível, que não tem empatia, que não tem solidariedade. É um governo que, repito, não conhece os nossos problemas, as nossas mazelas, as nossas desigualdades. Estamos diante de um desgoverno que, além de não conseguir andar para frente, dar andamento naquilo que deu certo, tem a capacidade de cometer verdadeiros retrocessos, inclusive civilizatório, que é pior ainda, manchando a imagem do Brasil lá fora. Teremos que mudar a comunicação, mostrar que o verdadeiro agronegócio do Brasil é sério, não destrói o meio ambiente. Temos problemas graves na Amazônia Legal, de grileiros, de quem invade áreas públicas, não respeita as comunidades, os índios, os povos originários, isso é tudo verdade. Mas essa minoria criou uma dimensão no nível mundial, que está atrapalhando nossas commodities, nossas relações comerciais. Então, estamos diante de um desgoverno, a ponto de estar mudando a mentalidade de uma geração, de as pessoas acharem que podem se dar ao luxo de dizer que não há problema de implantar no país um partido de extrema direita. Quando temos um presidente retirando do armário uma minoria da minoria, que representa 10% da população que também pensa igual a ele, estamos rasgando mais de 200 anos de história. Então, vamos ter muito trabalho pela frente. Primeiro, tirar o presidente do segundo turno das eleições e, segundo, reconstruir os próximos quatro anos neste país.

Para chegar nesse ponto aí, a senhora primeiro precisará convencer seu próprio partido. A gente sabe que as pesquisas só devem mexer de fato quando começar a campanha, depois de julho. Como a senhora fará para convencer seu partido e Renan?

Primeiro, é lembrar que não é possível não ter uma candidatura de centro com uma polarização como essa. É inconcebível um país como o nosso, democrático já entrando no amadurecimento da democracia, ter apenas duas opções, ou voltar ao passado ou continuar com o presente. Não tem como o centro democrático não apresentar uma alternativa de poder para o país. Esse centro começou comigo lá atrás e hoje não conseguimos lembrar mais de três nomes dentro de partidos grandes. Respeito muito todos. O centro sabe que tem que lançar um pré-candidato e tem que ter competitividade. Sou a pessoa menos conhecida, mas na proporção dos que me conhecem sou a mais votada deles. Proporcionalmente, tenho um potencial, porque a minha rejeição é a das menores, de muito crescimento. Pertenço ao maior partido do Brasil, sou a única pré-candidata mulher, não sou conhecida e não tenho rejeição. Portanto, há uma avenida de possibilidade. A convenção só vai se dar em julho. Porém, assim como a pré-campanha começou muito antes, consequentemente o eleitor vai começar a se interessar pelo processo eleitoral muito antes. Não acredito que o eleitor vá começar a se preocupar em julho. Acredito que já em maio ele vai começar a se interessar.

Maio é o mês que a senhora vê como prazo para o afunilamento desse centro democrático ou pode se estender até julho, como a senhora falou na época das convenções?

Acredito que, em maio, nós já teremos um afunilamento de candidaturas. Nós não podemos esquecer também que tem fator antes, em abril, denúncias ou não de candidatos de mandatos, as federações que vão acontecer até maio e, uma vez federado, tem que lançar um único candidato. É o caso do PSDB e do Cidadania. Na hora que afunilar, um não vai ser candidato, apenas um poderá ser. Quando a gente menos espera, a gente começa a ver esse afunilamento e tem que acontecer naturalmente. Não sou daquelas que acham que tem que ser o mais rápido possível, um, dois ou três candidatos, não.

O fato de ser a única candidata mulher significará uma atenção especial na política para as mulheres?

 O foco especial é para a família. Nada cala mais fundo para uma mulher, para uma mãe, e sou as duas coisas, do que política voltada para a família. Quero mostrar que o Brasil é grande o suficiente para acolher a todos os filhos, a família na inteireza. Isso significa garantir casa popular, teto para morar, para que a mãe, no final do mês não tenha que fazer a escolha, entre colocar a comida na mesa ou pagar aluguel. Significa dar assistência à criança e que o jovem realmente precisa. É verdade que o ensino infantil é responsabilidade dos municípios e o ensino médio é responsabilidade do estado, mas o ensino público, de um modo geral, é responsabilidade de todos. A União não pode ficar omissa nesse processo, por mais que a Constituição diga que a responsabilidade de garantir a vaga numa escola ou numa creche seja do município. Então, é estar ao lado em parceria e convênios e partilha de tributos com estados e municípios para que possamos ter ensino integral e vagas em creche para crianças de zero a cinco anos. Então é nesse sentido, de um lado garantir educação e de outro garantir o teto. E tudo isso com uma política integrada, obviamente, com uma política fiscal responsável, dando segurança para o mercado, para o investidor, de que respeitamos os contratos e cumprimos as regras do jogo, para que a gente possa reaquecer a economia e recuperar aqueles empregos que foram perdidos, não só com a pandemia, mas pela má gestão de um governo irresponsável e insensível.

Para fazer todo esse projeto é preciso orçamento público robusto, que hoje não temos. Como a senhora pretende trabalhar isso, se for eleita?

 O primeiro dia, dia da posse, em sessão solene, mais do que discurso, o que tem que ser entregue ao Congresso a reforma tributária que queremos, se ela não for aprovada este ano. E a reforma é exatamente redistribuir os impostos, sem aumento da carga e sim fazendo uma inversão para quem ganhe mais paga mais e quem ganhe menos, pague menos impostos, tirando uma tributação do consumo e passando a tributação para renda e propriedade privada. Nessa justiça tributária, já conseguiremos garantir minimamente diminuição desse desequilíbrio social e dos gastos tributários. O Brasil gasta com renúncias fiscais algo em torno de R$ 380 bilhões. Não é possível fazer um corte linear, mas se conseguirmos em média economizarmos 10%, já temos R$ 38 bilhões para resolver o déficit habitacional do Brasil. Então, é tirando dos excessos e das injustiças. Sou contra a reforma administrativa que está no Senado. Acho que ela não serve para nada, tem que jogar no lixo, porque ela mexe com o pequeno, com o servidor que trabalha, com o servidor eu tem feito a diferença no SUS, com a enfermeira, com o professor que está em sala de aula, com o profissional liberal, com o técnico administrativo. Mexe com aquele técnico que teve a coragem de denunciar na CPI e só o fez porque ele tem estabilidade. A reforma não mexe com os grandes, com os supersalários, com quem tem um contracheque acima do teto constitucional. Só de cortar essas injustiças já consegue R$ 4,5 bilhões. É cortar a gordura, ter um estado eficiente. O estado não nasceu para fazer asfalto e obras físicas. O estado nasceu para não ser nem mínimo e nem máximo. E sim para ser o necessário, que faça o seu dever de casa enquanto serviços públicos essenciais e entregue para a iniciativa privada, não como adversário ou inimigo, mas como grandes parceiros, aqueles serviços e obras de logística necessárias ao país.

 A senhora vai manter o teto de gastos e medidas de ajuste fiscal. E que tipo de reforma administrativa a senhora apresentaria?

 O que a reforma administrativa quer é enxugar custos. Você só enxuga cortando aquilo que paga em excesso, que são os supersalários, e da mesma forma, tem que como dar eficiência na máquina pública, o termo já está um pouco ultrapassado meritocracia, mas você não precisa acabar com a estabilidade do servidor para isso. Estabilidade do servidor é a favor do tempo. Você só precisa por lei complementar fazer a avaliação periódica de desempenho, que pode ser feita a cada dois anos, dando um curso rápido numa escola de governo que o estado e município tem. Faz o curso rápido, se não passar, tem que ver algum critério para se preparar, e se não passar é mandado embora. Reforma administrativa para enxugar a máquina é querer enganar a população brasileira. Na realidade, o que eu preciso é através de leis complementares e leis ordinárias, reorganizar a máquina. Não é por emenda constitucional. Quem não quer fazer reforma administrativa realmente manda uma emenda constitucional para falar que, para fazer, precisa de um quórum extremamente qualificado. Quando na realidade, eu preciso é de leis que regulamentem o que eu quero dentro do sistema, meritocracia e promoções que sejam feitas de forma mais eficiente. Nesses últimos anos, pegue as estatísticas, já houve enxugamento da máquina federal. Temos a governança digital, integrar o sistema de Ministérios, e só aí já não haverá a necessidade de fazer concursos para uma série de áreas. Então, é natural o processo de reforma administrativa, por isso não é a que mais me preocupa.

 A senhora foi destaque na CPI da Covid. O que de mais importante ela conquistou?

 Ela colocou vacina no braço do povo brasileiro. Foi por livre e espontânea pressão da CPI que o governo acabou acelerando a compra de vacinas e que chegou tarde. Mas, puxando um pouco a sardinha para a bancada feminina, a CPI colocou na pauta do dia algo que não podemos esquecer nunca. O quanto é importante o papel da mulher na vida da sociedade brasileira. Quando mostramos que a misoginia ou a subrepresentatividade na política, a violência política contra a mulher era uma realidade e não era mimimi, estávamos em rede nacional e eles (os brasileiros) viram como somos tratadas e como é difícil nos impor enquanto iguais. E que não basta bater na porta, é preciso empurrar essa porta e precisamos elevar a voz para sermos ouvidas. Então, o fato de sermos mulheres corajosas, que enfrentamos as desigualdades, que reagimos às injustiças, ter um empoderamento da mulher profissional nos mais diversos postos. O espaço de poder é muito mais árduo, mais difícil do que para os homens. Foi preciso uma CPI para colocar luz e holofote sobre isso. Fizemos do limão uma limonada. Mostramos que não é um xingamento e um dedo na cara que nos intimida. Não chegamos no Senado Federal dançando valsa.

 Por falar em mulheres, o governo da presidente Dilma Rousseff deixou uma imagem negativa das mulheres no comando, até porque ela sofreu um impeachment. Como limpar essa imagem?

 Quantos homens vieram antes de uma mulher e erraram? Vamos julgar por uma única experiência todas as mulheres? Isso não deixa de ser misoginia.Tivemos homens que foram impechados, e que não o foram por uma circunstância político-partidária, que é natural do jogo democrático. Tivemos o Collor, que foi impechado e temos inúmeros pedidos de processo de impeachment contra o presidente Bolsonaro. Não há governo pior do que este que aí está e está nas mãos de um homem. Então, acho que temos aí a grande oportunidade de mostrarmos que a mulher tem condições de ocupar qualquer espaço de poder e ser competente. Esse discurso não cola, porque temos muitos mais experiências negativas no sexo masculino.

 Ministros do Judiciário e especialistas têm se mostrado preocupados com esse ano eleitoral. Afirmam que há uma tendência de que este ano seja tenso e com recorrentes judicializações. O que espera do pleito de 2022?

O período da eleição vai ser a campanha mais dura. Já participei de cinco eleições diretamente e agora será a sexta. Eu já estou esperando o que vem pela frente: uma campanha rasteira, de baixo nível, uma campanha onde as pessoas vão, através do virtual, dizer tudo aquilo que não tem coragem de dizer no real. Estamos preparados para fake news, para montagens de textos e edições de falas. O Judiciário realmente vai ter que se organizar. E isso vai servir, inclusive, para que se repense a questão da CPI das Fake News. Ela precisa ser reativada o mais rápido possível. As pessoas que hoje acham que podem dizer tudo e mais um pouco nas redes sociais, vão ter que ser punidas propriamente, tudo há limite na vida.

Então, entre a reedição de uma CPI da Pandemia e a continuidade da CPI da Fake News, a senhora prefere a continuidade da CPI das Fake News uma vez que em ano eleitoral vai ser difícil o Congresso tocar tudo?

Nada impede do Congresso ir com as duas porque a CPI das Fake News virou uma CPI mista, ela é do Congresso Nacional. Acho que é perfeitamente possível caminhar com as duas no Senado ou no Congresso. Eu só não sei se nós temos que reavivar a CPI. Se existe um fato determinado muito forte. Tivemos o apagão dos dados, tivemos aquela da vacinação infantil, mas agora já começou a ganhar corpo. Tem que vir alguma denúncia muito séria, se de repente diante dessa fiscalização e controle do TCU, no Ministério Público surgir alguma denúncia mais contundente em relação aos crimes contra a administração pública que nós investigamos na CPI e vimos suspeitas gravíssimas, se surgir um fato novo ali, de repente, pode sim caber uma CPI. Mas mais do que uma CPI, acho que o Observatório que foi criado tem que estar trabalhando 24h por dia. O relatório acabou de chegar no Tribunal Penal Internacional essa semana. Estamos pressionando. Já convocamos o ministro Queiroga, convidamos o presidente da Anvisa, convocamos o procurador-geral da República, Aras, para dizer: tira da gaveta. O PGR é o chefe máximo do maior órgão de fiscalização e controle do Brasil. Ele não é um capacho, um servidor, um comissionado do presidente da República. Ele está ali inclusive, para representar contra o presidente da República, contra o senador, contra as autoridades que forem denunciadas.

O presidente eleito poderá em 2023 indicar dois ministros ao Supremo Tribunal Federal. Para você, quais seriam os perfis ideais desses indicados?

Talvez tenha que rever a forma, não necessariamente da indicação. A sabatina é importante, a indicação tem que vir do chefe do Executivo mesmo. Mas talvez optar por mandatos. Ver a questão se deve mexer ou não na idade mínima do indicado ao STF já que temos a idade máxima de 75 anos. Não dá para entender alguém ficar 40 anos como ministro do STF. Acho que a gente pode ver essa coisa de um mandato de 15 anos. Essa é uma pauta importante e acho que é uma pauta que a sociedade quer. Sem dúvida nenhuma, o aspecto mais importante é o que diz na Constituição: notório saber jurídico. Estamos falando de um profissional do Direito que não só seja reconhecido como tal, mas também seja apartidário, isento. Por mais que seja indicado pelo presidente, ele tem que cumprir uma missão. Se formos olhar antes do presidente Bolsonaro, até para dar um tempo de desvincular, se olharmos todos os ministros que lá estão, eles rapidamente se desvincularam dos seus padrinhos, digamos assim. Dos presidentes que os indicaram. Isso nós vimos com Fachin, me lembro na sabatina dele, o quanto ele foi demonizado antes pela imprensa, por nós, havia um pré-julgamento em relação a ele e ele rapidamente disse o seguinte: “Eu fui indicado pelo PT mas não estou aqui para servir ao PT”. E ele cumpriu e cumpre com maestria a função dele. É esperar notável saber jurídico e a imparcialidade absoluta para que ele exerça plenamente seu mandato de ser o órgão de julgador máximo. A gente fala muito do presidente da República. Mas eu falo que talvez a missão mais difícil e a mais importante é a do ministro do STF. Acima dele, só o criador.

Como a senadora analisa essa crise instalada entre o presidente e o STF?

É a continuidade de uma crise que começou desde o primeiro dia e só vai terminar no último dia do mandato dele. O presidente da República não sabe, ele não tem sequer capacidade de entender o que o cargo de chefe do Executivo representa. É um presidente que, para se sustentar no poder e alimentar uma base que tenta fidelizar para estar no segundo turno, ele precisa sempre polarizar, criar conflitos, crises artificiais. O presidente não tem noção do que representa o Judiciário. Ele não respeita o Congresso. E não é só com medidas provisórias ou decretos inconstitucionais, é a forma como ele fala, como ele trata. É um presidente que desarmoniza o tempo todo. Ele não tem noção do que significa o princípio da separação e da harmonia entre os poderes.

Sobre o futuro da Petrobras. A senadora defende a privatização da estatal?

Essa é uma questão muito menor diante de um fato que nós temos gravíssimo. Não é estar na mão do poder público, na iniciativa privada que vai resolver. Eu particularmente sou contra a privatização da Petrobras e de bancos públicos. Embora seja liberal e a favor de todas essas estatais criadas pelo governo do PT, ineficientes, deficitárias, que tem que ir o mais rápido possível para iniciativa privada até parar de dar despesa e fazer com que a iniciativa privada também possa, gerando empregos, torná-las eficientes, eficazes e superavitárias. É preciso separar em ao menos 3 lotes, no mínimo dois lotes. As estatais deficitárias que nós nem sabemos os nomes, que são tantas, mais de 300 no Brasil. Primeiro lote, todas as estatais deficitárias, aquelas que não tem condições de cumprir as suas finalidades. Segundo lote, mesmo aquelas que sejam hoje, tenham em parte na neutralidade no que se refere a gastos, ver com quais dessas estatais, na sua essência, não poderiam estar na mão do poder público e sim na iniciativa privada e ficar apenas com aquelas que, de alguma forma, representam aquilo que o Estado tem que oferecer para a população além de soberania nacional, serviços básicos essenciais. O problema da Petrobras é outro. Ele foi muito mal gerido, quase quebrou, deu déficit no governo da presidente Dilma e do PT. Veio o presidente Michel Temer, colocou a casa em ordem e, hoje ela é superavitária. A Petrobras deu dividendo ao longo de 2021 na ordem de mais de R$ 21 bilhões. Esse dinheiro vai voltar, vai ser distribuído para estados, municípios, saúde, educação, obras. Acho que a Petrobras, nesse momento, é importante sim. O que temos que mudar é essa dinâmica onde nós somos autossuficientes em petróleo mas temos que importar petróleo refinado. E não é porque ela está globalizada, não é isso. Nós temos que discutir de que forma na composição desse preço o que está superdimensionado para poder diminuir esse preço do custo do petróleo, do diesel que sai e chega na bomba. Isso nós vamos fazer agora. O Senado está debruçado em cima de quatro projetos. Isso não pode esperar, isso não é pauta para o próximo presidente, é pauta para mim como senadora, deputados federais, senadores e Congresso.

Tem muita gente dizendo que a discussão da PEC dos combustíveis está indo para o caminho errado. Ouvimos isso de alguns especialistas, de que o combustível fóssil deveria ser mais taxado e o país deveria se preocupar mais em incentivos e subsídios para energia limpa. Quando é que vai ser feita essa discussão? O país já está preparado para isso ou tem que ficar mesmo discutindo a PEC dos Combustíveis?

Energia limpa é pauta para hoje até os próximos 30 anos. É essa a evolução. Tanto que, por isso, acho que temos que explorar o mais rápido possível o sistema de partilha ou concessão. Essa é uma outra discussão que nós temos que ver, se vai existir partilha ou não, se a sessão é onerosa. Nós temos que distribuir o máximo possível com os parceiros a exploração do petróleo enquanto ele vale muito porque o setor energético da energia fóssil está com prazo para terminar. Ninguém sabe se em 30 anos, 40 anos, mas passa muito rápido. A outra parte é de que forma transformar o meio de nos locomovermos, que é o que mais impacta na inflação, no preço dos alimentos, no transporte público, na formação dos gastos da renda da família brasileira, que é o preço dos combustíveis e da energia elétrica. Uma vez que subiu, ela tem uma cadeia impactando na inflação, um efeito cumulativo especialmente nas rendas das famílias mais carentes. Isso nós precisamos resolver agora através dessas PECs. Tem uma que fala inclusive de criar um imposto de exportação para a Petrobras, para a Shell e para as empresas e esse imposto vem exatamente para criar um colchão, um fundo de estabilização para quando o preço do dólar, o preço do barril estiver alto impactando o preço nas bombas, esse fundo é usado para amortizar o reajuste e fazer com que o preço da gasolina volte. E a hora que o dólar baixar, e o barril baixar, continuo tributando aqui num valor menor, faço essa poupança crescer para sempre estar pronto para que o consumidor final não pague o preço cheio do diesel na bomba. Isso está sendo gestado, visando, entre outras coisas, um possível imposto de exportação para a Petrobras e para quem explora o petróleo no Brasil, manda para fora, depois paga mais caro e traz de volta. Nós somos autossuficientes, refinamos 60%, mas trazemos pelo menos 40% de refinados mais caros para o Brasil.

E os militares, como vai ser essa relação? A senadora já tem alguma interlocução no meio? Como isso está sendo feito na sua pré-campanha?

Eu tenho o maior respeito pela instituição. As Forças Armadas brasileiras, ao lado das Igrejas, sempre estiveram no imaginário do povo brasileiro como uma das instituições mais sérias e de maior credibilidade. Infelizmente, esse governo que se diz muito ligado aos militares, até isso conseguiu arranhar. Por diversas vezes nós vimos o quanto os generais da ativa ou até mesmo da reserva acabaram sendo envolvidos, na CPI não foi diferente. Fiquei impressionada com o núcleo militar dentro do Ministério da Saúde que de alguma forma teve seu nome citado na CPI. É preciso resgatar essa imagem de que as FA são emblemáticas. É igual o orgulho da nossa bandeira. Ela não pode ser sequestrada por ninguém, por nenhum partido, por nenhum presidente. É nosso. A bandeira é nossa, como o petróleo brasileiro é de cada brasileiro. Assim como as forças armadas são o símbolo de tudo que nós pensamos enquanto país soberano. Eles preservam as nossas matas, cuidam do nosso espaço aéreo. Estão na Marinha protegendo o nosso território, tem um projeto fundamental na Amazônia, tem tudo a ver com essa vigilância da entrada de armas, de contrabando nas fronteiras brasileiras. Eles têm uma missão insubstituível. Esse sim é o poder do Estado, de cuidar da soberania nacional e nós precisamos resgatar esse orgulho de voltar a ter nas FA uma força impessoal e imparcial. Me preocupa muito essa politização das forças armadas brasileiras e também essa militarização na política. Acho que as coisas precisam andar de forma harmônica, mas elas não podem se misturar.

Então a senhora quer colocar cada um no seu quadrado?

Isso não significa que nós não possamos ter dentro de alguns órgãos estratégicos. E precisamos ter. Mas dentro dos órgãos estratégicos para o qual eles foram constituídos. Eles não foram constituídos para estar dentro da Casa Civil fazendo política. Eles foram constituídos para nos ajudar no Ministério da Defesa, nas relações institucionais. É para isso que eles existem. Para nos dar suporte nas próprias relações internacionais, nos ajudar nas nossas fronteiras, no combate ao armamento, no tráfico de drogas nos momentos essenciais, é papel da polícia militar, mas nessa integração de sistemas. São parceiros naquilo que a própria Constituição delimitou.

E a política externa? Como a senhora vê essa viagem do presidente à Rússia?

A diplomacia brasileira é uma das mais respeitadas do mundo. Uma pasta bem gerida pela independência como sempre teve no passado, ela se resolve por si só. Ela é uma solução, não o problema, ela nos traz a solução para diversas pautas. Agora, terá muito trabalho nos próximos anos de reconstruir a imagem do Brasil não só nas relações econômicas, mas principalmente nessa pauta de mostrar que o Brasil é um país de segurança institucional que ama a democracia e que não flerta com nenhum regime autoritário, seja da direita ou da esquerda.

Por que tantas pessoas estão defendendo o nazismo no país? Por que esse tema voltou à pauta política e mobiliza as redes sociais?

Porque temos um governo de extrema direita e em todos os governos extremos, se puder, se não tiver freios e contrapesos e as portas do Congresso e Legislativo sempre atuando abertas, uma imprensa livre e combativa como temos no Brasil, ele vai sempre testar os limites da lei, da Constituição, das instituições democrática. É óbvio que quando você tem um governo de extrema direita que tenta desmoralizar a política, a imprensa, as instituições e tenta implantar um processo ideológico radicalizado ele traz consigo algumas pessoas que começam a enxergar isso como alternativa de poder quando não é. E nesse mundo moderno que tem um veículo democrático como as redes sociais que pode ser usado de qualquer forma, as pessoas se acham no direito de falar qualquer coisa além dos limites da Constituição, mas a Constituição coloca que a apologia ao nazismo, ao fascismo, como o próprio racismo que é crime.

Por que ser presidente?

Mais do que querer, é um dever. Uma democracia só se sustenta quando o partido de centro lhe dá sustentação no Parlamento, foi por isso que o MDB por muito tempo deixou de lançar candidato. A gente fala de Fernando Henrique, tem o nosso respeito, mas foi no governo do MDB que viemos com a solução da estabilidade econômica. E o MDB está sendo chamado novamente, como grande partido que é, para buscar uma alternativa que não seja nem voltar ao passado e nem permanecer no presente. Quando falo em dever, isso se soma a um fato que pesou muito na balança, vi que não tinham candidaturas femininas. O Brasil que queremos e para quem queremos não pode ser respondido com um timbre exclusivamente masculino. Precisa de uma voz de uma mulher num debate, seja ele qual for e em qualquer momento, para dizer o país que as mulheres brasileiras querem, as mães, as profissionais liberais, e para quem queremos esse país. É imprescindível, diante de toda a luta que eu tenho e não é de agora, contra a subrepresentatividade feminina, tirar da teoria e colocar na prática. E foi uma escolha complicada. Eu tinha a princípio uma reeleição relativamente tranquila no meu estado. Especialmente, depois da queda de Bolsonaro nas pesquisas, e mesmo pós-CPI. Eu termino meu mandato em 2022. Mas para quem tem tanto tempo de mandato e a vida inteira lutou para que mais mulheres estivessem participando dos espaços de poder dentro da política e mesmo fora, porque somos exemplo para as mulheres do dia-a-dia, profissionais liberais e trabalhadoras. Eu não podia fugir dessa missão. Me enxergo um pouco nesse papel, de poder estar sendo, de alguma forma, um timbre feminino numa disputa exclusivamente masculina.

Tem um plano B? Aceitaria ser vice?

 Não, não tenho plano B. E quando todos dizem que eu seria uma boa vice, a pergunta que sempre fazem é por que. Mas se é por ser mulher, é mais uma razão de eu ser pré-candidata para ter mais uma voz feminina falando do Brasil que queremos. Mas, quando falam porque é competente, porque tem experiência administrativa, se estão dizendo que sou preparada é mais um argumento para não aceitar ser vice. Agora é hora de colocar o time no campo. É importante que o eleitor escolha quem do centro democrático vai representá-lo. E para isso, o eleitor precisa conhecer. Que Moro vá para rua, que Doria vá para a rua, que todos vão para as ruas. Depois, vamos sentar e conversar. Não posso trocar a minha vontade pela vontade do eleitor, não conheço a vontade do eleitor, quem é que vai encantar e tocar o coração das pessoas, quem vai estar acertando no projeto de país que o eleitor quer. Agora não é hora de falar de vice, nem de um lado, nem do outro. Sempre dizem “ela é competente, bem preparada, ela é ética”. Hora, se eu sou isso, e não sou eu quem está dizendo, então mais um motivo para eu ser cabeça de chapa bem como não ser vice de ninguém. Não tem plano B, assim como acho que os outros candidatos não tem que ter plano B. É colocar o time na rua, se apresentar ao país e tentar conquistar o eleitor. E vamos discutir o processo de convergência do centro democrático um pouco antes das convenções lá pelo mês de julho.

Fonte: Correio Braziliense

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