Simone Tebet diz à Petrobras que Brasil não pode aceitar misturadora no lugar de fábrica de fertilizantes

Para ela, é inadmissível que empresa russa receba fábrica ‘quase pronta’ e Brasil continue dependendo de importação

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) encontrou-se hoje (4) com o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e diretores, na sede da empresa no Rio de Janeiro, para conversar sobre os projetos que tramitam no Senado, visando reduzir o preço dos combustíveis, e sobre a fábrica de fertilizantes de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, recém-adquirida por um grupo russo.

Para a senadora, é inaceitável que tal grupo desvie a finalidade principal da fábrica e não produza fertilizantes conforme a expectativa do início da construção do empreendimento. “Não aceitamos uma misturadora lá, que vai manter a nossa dependência de importação e não vai baratear o preço dos alimentos na mesa do povo brasileiro”, disse.

A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3) da Petrobras começou a ser construída no município de Três Lagoas, cidade natal da senadora, em 2011. Na época, a expectativa era de que a produção de fertilizantes nitrogenados poderia reduzir a necessidade de importação do produto pelo Brasil em até 50%. Hoje, o País importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, dos quais 23% são comprados da Rússia. Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, há temor sobre possível falta de fertilizantes, prejudicando o agronegócio brasileiro e até encarecendo o preço da comida. Para Simone, o assunto é emergencial, pois pode acarretar redução da produção de alimentos.

Simone era prefeita do município quando cedeu um terreno de cerca de 50 hectares para a construção da fábrica da Petrobras. As obras começaram em 2011. Com as denúncias do Petrolão, a estatal passou por reformulação e no seu projeto de desinvestimento retirou a produção de fertilizantes de suas prioridades. A obra foi paralisada em 2017, com mais de 80% pronta. Desde então, aguarda pela retomada. Depois de anos de negociação para viabilizar a sua venda, um grupo empresarial Russo (Acron) adquiriu a fábrica, com expectativa de retomar as obras no segundo semestre. No entanto, não estaria disposta a produzir fertilizantes totalmente no País, mantendo a dependência de importação do produto. A fábrica seria uma misturadora.

“Estou há 12 anos nessa luta. Agora, nós ficamos sabendo que a empresa que conseguiu comprar, que é russa (Acron), não vai fazer fertilizantes. Ela vai misturar os fertilizantes que compraremos de fora, para se tornarem fertilizantes nitrogenados. Então, agora é a hora de a Petrobras dizer que não vai entregar a fábrica quase pronta (com custo baixíssimo para terminar) a uma empresa que não vai resolver o problema de fertilizantes no Brasil. Agora é hora de ela dizer que vai interromper esse contrato, terminar essa fábrica e, aí sim, vender para quem realmente vá produzir fertilizantes. Agora, entregar para uma empresa que não assina contrato garantindo a produção de fertilizantes é inaceitável e inadmissível. Isso vai contra o interesse nacional e os interesses da Petrobras”, disse Simone.

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